O Trabalho sobre si mesmo

Qualquer método de crescimento espiritual só terá sucesso se colocar como sua principal meta o trabalho com o ego. Poderemos ser brilhantes intelectualmente, ter os melhores insights, as ideias mais inovadoras; ter acesso aos segredos mais bem guardados e às práticas mais secretas mas, se não trabalharmos nosso ego, pouco ou nada acontecerá.

E o que queremos dizer com “trabalhar o nosso ego”?
Começamos por definir que o ego é, para nós, a parte da nossa mente que se sente separada. Separada de tudo e de todos.
Ele se expressa livremente no nosso dia a dia e cria uma história pessoal de relacionamentos e eventos que, com o tempo, acaba se confundindo conosco. Acabamos por nos identificar com essa história que, de fato foi vivida por essa pequena parte de nós. A história é dele e, na verdade, nós apenas testemunhamos suas aventuras. No entanto, pelo antigo hábito de nos identificarmos com ele, parece que somos nós. Que são os nossos relacionamentos, as nossas ideias e opiniões, as nossas emoções e desejos, nossos padrões de comportamento… tudo!! O ego, esse pequenino pedaço de mim, forja um personagem que atua como se fosse eu e, com o tempo, vou me esquecendo de quem eu sou e acabo por aceitar a sua estória. Quanto mais acredito na biografia do ego e suas estripulias, mais ele parece real, e mais eu me esqueço de quem eu sou.
Não existe nenhum “mal” nisso. É apenas um antigo hábito, nada mais.
O Trabalho sobre si mesmo (TSSM) existe para nos ajudar a lembrar de que, para além dessa pequenina parte da nossa mente que sempre se sente sozinha e desamparada, existe uma outra porção infinitamente maior, tranquila e quase sempre silenciosa. E esta, por saber que está completamente conectada com tudo e com todos, jamais se sente só. Nunca se percebe ameaçada por nada, jamais se entedia ou se aborrece com nenhuma atitude de ninguém. Porque por saber que estamos todos conectados, se alguém faz ou diz algo, sou eu mesmo que estou fazendo ou dizendo aquilo e, portanto, embora possa não parecer, tem um sentido que talvez eu não esteja reconhecendo neste momento. Se estamos unidos, não podemos sequer imaginar que uma parte de nós vá atacar a outra. Seria como se o braço direito se irritasse com o esquerdo e tivesse autonomia para agredi-lo. Soa ridículo, não é?
Da mesma forma, é sem sentido para a mente conectada que ela julgue e condene alguma parte de si mesma, ainda que esta pareça estar “lá fora”.
Dito desta forma simplificada, tudo isso pode soar como pouco claro. No entanto, o propósito do TSSM é nos ajudar, não a entender o que foi dito, mas a experimentar por nós mesmos, de uma forma gentil, essa nova maneira de ser e de estar no mundo: identificados com a nossa Mente Maior. O entendimento vem naturalmente com a prática e não pode mais ser contestado porque agora está enraizado na experiência e não em uma bela ideia. A paz e contentamento que brotam nesse novo ser humano são difíceis de descrever.
É como se uma onda finalmente reconhecesse que é só uma parte do oceano e que, por mais ondas que surjam, de quaisquer tipos e tamanhos que sejam, elas nunca podem alterar a verdadeira natureza do “Pai” Oceano, que permanece inalterado e imperturbável. Daí vêm toda paz e contentamento, de finalmente nos darmos conta de quem somos nós: um oceano infinito que adora se expressar como ondas diferentes, mas que não é as ondas mas apenas as desfruta por um momento e, em seguida, retorna à sua vastidão silenciosa.
O TSSM traz essa boa notícia para os que querem viver plenamente.

Beijos…
Arnaldo

1 Comment.

  1. Arnaldo,
    Tudo bem? Meu nome é Sheila e não nos conhecemos, mas gostaria de expressar a minha gratidão por esse texto. A sua forma de refletir, exemplificar e justificar foram as mais sensíveis, profundas e coerentes que eu já li. Obrigada e parabéns!

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