TRANSFORMAÇÕES

por Cynthia A. L. Almeida
07/2008

Ninguém duvida que estamos num momento de muitas mudanças e transformações. Elas aparecem descritas  em qualquer meio de comunicação que acessemos  mas, mais que tudo, temos percebido mudanças no mais íntimo de nós mesmos. Converso com um número cada vez maior de pessoas que têm sentido como se um tsunami tivesse passado por suas vidas, tirando tudo fora de seu lugar habitual e que, muitas vezes, sentem-se sem rumo e vítimas destas mudanças.

 Como não poderia deixar de ser, o Instituto Ser Humano (ISH) também reflete estas transformações.  Mas  de uma forma muito positiva, pois há muito tempo nos demos conta de que os momentos de mudança e de crise são períodos de expansão e crescimento, se vistos da forma correta.

Na verdade, uma das máximas da filosofia isheana  é: “A forma deve ser alterada sempre que necessário para  que o conteúdo não se altere”.  Assim, acostumamo-nos a conviver  com mudanças frequentes de formato porém com um conteúdo cada vez mais sólido e estável.

Porisso nesta fase de mudanças de forma, vale sempre relembrar e aprofundar os princípios básicos que regem  o ISH.  Mas, antes de entrar no conteúdo, gostaria de falar um pouco sobre as mudanças de forma.

Temos notado que as pessoas que têm se aproximado do ISH mais recentemente  apreendem os conceitos básicos com maior rapidez do que antes.

Muitos participantes, tanto mais novos  quanto mais antigos, têm demonstrado um interesse crescente por práticas mais silenciosas, mais meditativas.

Há um crescente reconhecimento de que algumas verdades só podem ser compreendidas se estivermos num estado mais meditativo, de união com o Todo, abrindo espaços de reconexão com a sabedoria interior de cada um.

Por tudo isso o formato dos grupos novos tem mudado. Aliás, o próprio conceito de “grupo novo” está sendo revisto, como pode ser percebido nas propostas de novos grupos para este semestre.  Associado a isso, o Sítio Itaporã tem passado por muitas transformações, com novas construções, reformas, e seus trabalhos também num caminho mais meditativo.

Mas o que será que isto significa em termos de conteúdo?

Vale relembrar  os princípios básicos estabelecidos desde o início do ISH
e constam do seu Estatuto:

1. atenção ao momento presente: somente aqui, neste momento, onde a vida acontece, o ser humano pode realmente se conhecer e, assim, ter
a opção de escolher o que quer para si mesmo e para o mundo à sua volta;

2. respeito ao outro: cada pessoa tem o potencial de encontrar seu próprio caminho e suas próprias respostas  se estiver atuando em
um ambiente de paz e confiança.
O Instituto busca manter esta condição em todos os seus trabalhos,
enxergando o ser humano como um universo que
deve ser respeitado em suas atitudes e crenças;

3. aprendizado constante e através da experiência: o verdadeiro aprendizado somente ocorre quando vivenciamos as situações da nossa vida comum
mantendo contato direto com a sabedoria interna que todos possuímos.

4. co-criação responsável: consciente ou inconscientemente, todas as pessoas têm um papel importante na criação do ambiente que as circunda.
Cada ato, cada pensamento e cada emoção influenciam consideravelmente o mundo em que vivem.
Assim, através da  conscientização deste princípio, o homem passa a ser mais eficaz no intuito de criar uma realidade de paz e amor.


Depois de algum tempo de prática nos demos conta de que, por detrás destas diretrizes, havia uma anterior – maior - que permeava todas as demais e que, porisso, foi chamada de Primeira Diretriz Ela foi assim descrita num texto do Arnaldo: “o Trabalho do ISH se apóia, e se apoiará sempre, numa atitude interna e externa de não fortalecimento do ego ou de sua principal “realização”: a separação”.

Colocado tudo isso, eu pergunto: o que mudou nos últimos tempos?
E a resposta que me vem é: não mudou nada!!!

No entanto, ao mesmo tempo, TUDO mudou,
pois apesar do conteúdo permanecer exatamente o mesmo, a experiência nos trouxe
um grande aprofundamento destes conceitos.

1. Nos demos conta de que a vida acontece apenas no momento presente e de que só estando presentes podemos fazer escolhas reais. 
E que as escolhas feitas num estado mental automático  não fazem mais do que reproduzir a ilusão, gerando mais dor e sofrimento.

2. Nos demos conta de que respeitar o outro é, na realidade,
respeitar a si mesmo pois somos todos Um.


3. Nos demos conta de que a única limitação que temos para acessar nossa sabedoria interior é a nossa falta de confiança em nós mesmos.
E que essa falta de confiança é fruto da crença, profundamente enraizada na nossa cultura, de que somos culpados pela separação de tudo que existe, que fomos os criadores do caos e que, porisso, não merecemos ser amados.

4. Nos demos conta de que criamos TUDO  o que nos acontece.
E que não existe nenhum fenômeno do mundo externo
que não seja um reflexo do nosso mundo interior.

Nos demos conta, portanto, de que ao darmos força para o ego e sua visão fragmentada do mundo, perdemos a conexão com quem somos de verdade
– seres perfeitos, o que também só pode ser reconhecido na presença  -
e experimentamos medo, conflito, sofrimento e morte!


Enfim, por tudo o que está descrito acima, temos que reconhecer que a transformação está colocada na pauta de nossas agendas, tanto pessoais quanto na do ISH, prometendo mudanças que ainda nem sequer podemos antever. E que, pela experiência que acumulamos nestes 9 anos juntos, seguimos confiantes de que, ao fina,l tudo vai dar certo! Como sempre acontece no universo da União.

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