O PODER DO INTENTO


Arnaldo Celso do Carmo
dez/2002



                O Intento, como praticado pelas antigas tradições de conhecimento, significa a “força capaz de moldar a realidade à nossa volta”, ou seja, intentar é bem mais do que o simples tentar ou planejar comuns.
                 Em nosso meio nada sabemos sobre intentar. Acreditamos que as coisas nos acontecem por puro acaso. No entanto, outras culturas descobriram que o ser humano gera os fatos, todos, que experimenta em sua vida. Está fazendo isso o tempo todo, saiba disso ou não. É difícil explicar porque as coisas se passam dessa maneira, porque possuímos tanto poder e por quais mecanismos ele se manifesta. Seria como tentar analisar porque a água é molhada.
                Mas os toltecas têm uma descrição interessante de como as coisas se passam. Dizem que a luz é a substância essencial do Universo. Ela é toda matéria, toda vida e todo movimento. Tudo é feito de luz. No entanto, necessita de uma força modeladora que a faça assumir as infinitas formas que são possíveis em nossa dimensão e não se expresse apenas como uma luminosidade difusa. Essa força é possuída pela mente humana e é chamada de Intento. Podemos constatar por nós mesmos que esse poder existe e, em seguida, descobrir como utilizá-lo conscientemente.
                O primeiro aspecto a ser trabalhado é a prática de uma espécie de “saneamento mental”. Enquanto os nossos pensamentos forem gerados por uma mente indisciplinada e sem qualquer clareza dos propósitos que deseja alcançar, o resultado de tais intentos confusos evidentemente só pode ser a confusão. Então, para começar, é preciso aprender a disciplinar a mente, ou melhor, a silenciá-la. Ser capaz de manter períodos de silêncio prolongados naturalmente, sem que isso nos custe qualquer esforço, é o primeiro passo. Isso não significa que tenhamos que ficar parados em alguma posição ou em algum lugar especial. Podemos desenvolver a capacidade de silenciar nossa mente enquanto realizamos nossas tarefas habituais.
                 O segundo aspecto, já à partir de uma mente quieta, é a geração de propósitos claros e diretos. Coisas assim simples como: vou chegar até tal lugar, vou fazer tal coisa hoje, etc e, em seguida simplesmente manter tal propósito vivo dentro de nós. Começamos com as coisas aparentemente mais simples, constatamos que os nossos objetivos são atingidos, embora quase sempre de uma forma diferente do que imaginamos no início, e em seguida progredimos para metas aparentemente mais complexas, apenas para perceber que não existem ordens de dificuldades em intentos.
               Para a matriz energética neutra na qual estamos imersos não existe nenhuma diferença entre um fato pequeno ou um grande. Tudo é a mesma coisa: intento modelando energia e criando realidade de forma natural e sem esforço já que a matriz energética de onde vem todo poder é infinita.
Seria como tirar um ou um bilhão de copos d’água do oceano. Que diferença faria para o oceano? Nenhuma. As diferenças estão apenas nas nossas pequeninas mentes sem treino. É preciso muita paciência para superar esse segundo momento. Nosso ego tentará criar boas razões para que não continuemos com nossas pesquisas. Talvez se aborreça por ter que esperar que as coisas aconteçam em seu próprio tempo. Também os meios utilizados para a realização da meta, que quase nunca são o que o ego antecipou, podem ser vistos como bons motivos para se desacreditar de tudo.
                E por último, o medo frequentemente faz sua aparição neste ponto. Medo de tudo não dar certo ou o medo ainda maior de tudo dar certo e trazer uma responsabilidade muito além da escala com a qual estamos acostumados a lidar. Trememos só em pensar, brrrr,...!
                Se chegarmos até esse ponto já estaremos convencidos de que o poder existe e que seu raio de ação é amplo. Muito bem, mas como aprender a utilizá-lo conscientemente? Prometo que discutirei o que aprendi com vocês da próxima vez.

 
 
 
 

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