O Trabalho de Buda

Arnaldo Celso do Carmo
08/2001


 

        Quando Buda alcançava sua iluminação sentado tranqüilamente sob a Bodhytree foi tentado de todas as formas por Mara, o “lorde das trevas”. Muitas mulheres lindas, sensualíssimas, umas nuas, outras usando vestidos belíssimos, se aproximaram dele e o provocaram, tentando fazer com que ele se distraísse da sua determinação de permanecer em paz.
        Neste momento, com a ajuda delas, Buda percebeu que toda a sua beleza e sensualidade, toda a atração que exerciam sobre ele não vinha delas mas de dentro dele mesmo. Que todo poder que elas poderiam exercer era alimentado por ele mesmo. E então, suavemente, retirou delas a sua força, trouxe-a de volta para si e se recompôs inteiramente.

       Depois vieram os ladrões e bandidos que o ameaçaram com sua violência e brutalidade e, buscando gerar nele o medo e o desejo por segurança, queriam afastá-lo de sua determinação de permanecer em paz. E Buda viu, com a sua ajuda, que todo medo e violência não vinha deles mas de dentro dele mesmo, que era dele que os bandidos extraíam o seu poder que depois usavam para ameaçá-lo. E então, suavemente, retirou deles a sua força, trouxe-a de volta para si e se recompôs inteiramente.

        Vieram os credores que o ameaçaram com cobranças de dívidas antigas, deste e do outro mundo, e os amigos magoados com suas faltas cometidas nesta e em outras encarnações, e exércitos de queixosos, humanos ou não, que o culparam amargamente pelo sofrimento que ele lhes havia infligido no passado e o ameaçaram com punições severas e dolorosas: o fogo do inferno, prisão, humilhações públicas, desprezo, solidão, e tudo de pior que se possa imaginar.
       Mas então, com a sua ajuda, Buda viu que todo o seu poder de atacá-lo e de fazê-lo temer por sua integridade pessoal não vinha de nenhum deles mas sim de dentro dele mesmo. Que era com a sua própria força que cada um desses adversários se alimentava e que era nesta mesma força que se apoiavam para ameaçá-lo, buscando afastá-lo da sua determinação de permanecer em paz. E então, suavemente, retirou deles a sua força, trouxe-a de volta para si e se recompôs inteiramente.

       Toda energia recuperada fez com que sua mente se abrisse por inteiro e Ele viu que não precisava fazer nada mais do que simplesmente impedir que sua força se deslocasse de dentro de si para aqueles que buscavam afastá-lo do seu objetivo de permanecer em paz e que todos os seus adversários não eram reais uma vez que dependiam da sua energia para viver.
        De fato, eram todos criações suas que se alimentavam da sua vitalidade que roubavam através da importância que ele dava a elas e que, portanto, dependiam do seu desejo para existir.

        Buda então viu que tudo dependia da sua vontade e exerceu-a plena e definitivamente, fazendo com que todos desaparecessem para sempre da sua mente, tornando-se o primeiro homem verdadeiramente livre de que se tem notícia e deixando clara a mensagem de que qualquer um de nós, a qualquer hora, pode fazer o mesmo.

Basta ser capaz de querer!


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