O Novo Modelo

Parte1 e Parte 2

Arnaldo Celso do Carmo
(Parte1 - Boletish 5 e Parte 2 - Boletish 6)


Em agosto de 1945 o mundo assistiu atônito às duas primeiras explosões nucleares da história que, ironicamente, puseram fim ao mais sangrento conflito de que se tem notícia até hoje, a II Guerra Mundial, e deram a vitória aos Aliados liderados pelos norte-americanos. Três anos depois a então chamada União Soviética dava o troco com sua bomba atômica explodindo em um deserto siberiano, criando a polaridade de poder que dirigiria o mundo nos 50 anos seguintes e literalmente detonando, sem querer, o início de uma Nova Era na história do nosso lindo planeta. E o antigo modelo de vida começou a ruir inexoravelmente!

De lá para cá o ritmo das mudanças globais tem se acelerado numa velocidade que não se poderia prever.
Na década de 50 ainda vivemos um período onde predominou a aspiração máxima de se atingir o Sonho Americano mas, nos anos 60 a eclosão dos movimentos sociais contestatórios foi esmagadora.
Nos anos 70 experimentamos a reação das forças conservadoras que lutavam para manter-se no poder mas essas foram finalmente vencidas nos anos 80 com a democratização das informações e banidas definitivamente nos 90 pelo aparecimento da Internet.
Hoje podemos compreender melhor o que foi que realmente aconteceu - e ainda continua acontecendo e se acentuando.

Na era que se findou em 48 – chamada Era de Peixespredominava o sentimento de isolamento das pessoas. Cada um de nós se sentia inevitavelmente separado de todos os demais e de todas as outras formas de vida do planeta. Nada nos ligava a não ser fatos fortuitos que se sucediam numa sequência casual dominada por acidentes e acontecimentos sem sentido.

Tudo em nossa vida se apoiava nesta premissa básica: nós, seres humanos, nascemos aqui nesta Terra como o resultado de uma evolução casual de moléculas que se juntaram de uma forma absolutamente improvável porém suficientemente bem para produzir o que chamamos de vida inteligente, contra toda previsão contrária que se pudesse fazer (se houvesse alguém para fazê-la) de que isso seria simplesmente impossível. No entanto, aconteceu!

A partir dessa separação de tudo à nossa volta e pela evolução natural da nossa percepção de nós mesmos, surgiu a emoção básica que regiria todos os nossos relacionamentos com o mundo: o medo. Medo de sermos aniquilados, de desaparecermos, sofrermos, passarmos privações, desconfortos, sermos agredidos etc.

O medo passou a ser o regente das nossas atitudes num grau tal que, lentamente, penetrou nas nossas maiores trincheiras: nossas relações com nossos amigos e companheiros mais queridos, nossa família e até conosco mesmo, tornando os sentimentos de baixa auto-estima e insegurança tão comuns que começaram a ser vistos como “naturais”. Os muros ao redor das casas aumentaram, passamos a nos fechar mais dentro de nós mesmos, a busca por “segurança” passou a ser valorizada e incentivada cada vez mais e muito dinheiro – símbolo máximo do velho modelo – circulou por importantíssimas razões do medo.

E como no mundo do sutil o semelhante atrai semelhante, quanto mais medo sentíamos, mais medo atraíamos. Até o ápice maior do pavor das bombas nucleares, quando pela primeira vez na história da humanidade existiu a chance real da destruição de toda a vida na Terra. E na mão de quem estava essa decisão? Dos políticos e militares!


Resolvemos nos mexer – ajudados ou não por outras forças além das nossas próprias. E tudo começou a mudar.


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O Novo Modelo - Parte 2



Tivemos que mergulhar fundo na raiz da questão essencial do velho modelo: porque tanto medo? Será que somos mesmo seres gerados pelo acaso e totalmente separados da vida, vivendo uma vida fútil, sem sentido, passageira e que vai terminar completamente com a nossa morte? Ou será que nos enganamos? Seria possível um engano dessa magnitude e por tanto tempo?

Começamos a prestar mais atenção aos velhos textos das nossas tradições espirituais de todas as partes do globo e descobrimos que eles já diziam que não era bem assim. De fato nunca estivemos separados da Vida que nos rodeia nem a morte é tão real assim. Entre outros, não foi isso que Jesus quis mostrar com a sua ressurreição no domingo de Páscoa?

Mas, mais do que apoiados nos velhos textos, começamos a sentir dentro de nós o renascimento de emoções que haviam sido desprezadas por séculos. Sentimentos como lealdade, fraternidade, amizade, carinho, ternura, doçura, suavidade, compaixão, generosidade.
Com coragem começamos a expressá-los mais claramente na nossa vida cotidiana, nas nossas relações habituais, com os nossos companheiros e amigos, e lentamente os resultados começaram a surgir. O medo começou a recuar! O monstro começou a se dissipar. Um pouquinho só, ainda, mas já o suficiente para sabermos que ele não era tão poderoso como supúnhamos.

Acredito que este é o momento no qual nos encontramos agora: prontos para criar um Novo Modelo de vida que já não inclui o medo como emoção principal mas apenas como um coadjuvante que nos orientará nas decisões práticas da vida. E, na determinação das nossas atitudes estaremos apoiados em sentimentos mais construtivos como o desejo de compartilhar e não mais de competir como rezava o antigo modelo; ou o impulso de acolher e não de julgar como fazíamos antes.
Basearemos nossas iniciativas na compaixão pela vida em todas as suas expressões, admirando sua beleza e direito à existência, e reconhecendo como nos agredimos quando permitimos que ela seja desrespeitada.

No Novo Modelo estaremos empenhados em compreender e não criticar; em fluir com as energias que nos rodeiam e em desfrutá-las e não em tentar prever, planejar e amarrar todo o nosso futuro. Permitiremos que o imprevisto venha até nós e não nos sentiremos ameaçados por ele, mas sim felizes por podermos experimentar situações ricas e variadas.

A chamada Era de Aquários será regida pela solidariedade com tanta naturalidade quanto a Era de Peixes foi regida pela solidão.

O perdão será a nossa atitude mais habitual, não por um capricho do ego, mas como o resultado de uma visão universal e abrangente da Vida. Será comum nos ocuparmos sinceramente com toda vida ao nosso redor e respeitarmos a liberdade de cada um sentir, falar e fazer o que quiser. O gesto de carinho não nos surpreenderá mais porque será parte do nosso cotidiano. E logo nos acostumaremos a esperar o melhor dos nossos semelhantes: sua melhor atenção, seu maior empenho, sua honestidade, sua melhor intenção.

Sinto que as sementes desse novo modelo já foram lançadas há muito tempo, quando nascemos. Cada um de nós! Cada um de nós uma semente, um pequeno foco irradiador de equilíbrio e harmonia que, quando nos juntamos aos outros todos, formamos uma rede imensa, mundial, inescapável, invencível, irresistível. E sinto também que quando um número suficiente dessas sementes compreender o seu papel e permitir que a Vida flua através delas então o processo se tornará irreversível.
E eu já posso perceber o perfume no ar...



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