O  MEDO  DO  ABANDONO

por Arnaldo Celso do Carmo
04/2008

                        De todos os medos que nos assombram durante a vida nenhum é tão presente quanto o medo do abandono.

                   E porque temos tanto medo de sermos abandonados?

                   Segundo Um Curso em Milagres isto ocorre porque todos carregamos uma culpa ancestral que nos acompanha desde o nascimento.  É uma culpa tão antiga e profunda que dificilmente conseguimos distinguir sua causa. Sua origem remonta ao momento em que, num acesso de curiosidade,
resolvemos viver a aventura de estarmos separados do Todo.


Tanto intentamos que finalmente conseguimos vivê-la mas, quando nos vimos sós, o arrependimento foi avassalador e a culpa caiu sobre nós trazendo um efeito tão devastador que seria impossível conviver com ela todos os dias.

                   Sem saber o que fazer, resolvemos seguir um plano  
– que serve tanto para aliviar a culpa momentaneamente quanto para mantê-la viva – que contém duas atitudes.

A primeira é projetar a culpa para fora de nós,
criando um ambiente de culpados à nossa volta.


Quando identificamos um outro culpado sentimo-nos aliviados do nosso fardo secreto. 
No entanto, como o alívio é de curta duração, logo precisamos encontrar um outro culpado, e assim por diante, o que nos deixa exaustos.
 
A segunda atitude, que vamos examinar com mais cuidado aqui, é  ocultar a culpa por detrás de outros sentimentos. Criamos muitos que podem fazer esse papel: raiva, frustração, tédio, ansiedade...  mas o mais frequente, segundo as minhas observações,
é uma sensação quase universal de inadequação.


Sentimo-nos incapazes e insuficientes em tudo que fazemos,
portanto, não merecedores de amor.
Temos certeza de que não merecemos ser amados.


                   A sensação de inadequação invariavelmente faz com que nos esforcemos ao máximo por corrigi-la, o que é saudável.
No entanto, as estratégias que nos utilizamos são quase sempre equivocadas.

A atitude mais comum é tentar seguir padrões de conduta que nos parecem corretos.

Fixamos nossa atenção nos nossos comportamentos – e no dos outros – e,
ao mesmo tempo em que julgamos tudo e todos,
tentamos desesperadamente fazer as coisas “certas”. 

Nosso foco se volta para fora de nós em busca das condutas e frases adequadas.

Corremos atrás do modelo perfeito de comportamento e
com isso nos afastamos de nós mesmos.


O resultado é sempre mais frustração porque não conseguimos seguir os confusos e mutáveis padrões de perfeição.
Acabamos por nos sentir ainda mais inadequados,
o que gera mais sofrimento e confirma a certeza do abandono.

                   A alternativa, no sentido oposto, pode surgir quando,
depois de muitas tentativas fracassadas de agradar aos demais,
resolvemos começar a ouvir o nosso coração.


                   Enchemo-nos de coragem e nos arriscamos a viver a nossa verdade.
Ouvir o próprio coração faz com que a nossa energia, que antes estava toda investida do lado de fora, deixando-nos exaustos e frustrados, comece a voltar para nós.

Surge um sentimento de bem-estar e confiança e, ao contrário de antes,
sentimo-nos revigorados a cada dia que passa.

Acostumando-nos a correr os riscos naturais desse caminho,
passamos a experimentar liberdade e a vida torna-se finalmente a  aventura de descobertas e aprendizado que desejávamos.

                   E compreendemos facilmente que temos tanto medo de sermos abandonados porque desde o início nós mesmos temos nos abandonado.

Temos medo de não sermos amados porque, em primeiro lugar e sempre,
não temos nos amado.


Há séculos temos  escolhido agradar os outros ao invés de seguir o nosso coração.
   A boa nova é que as coisas já não precisam ser assim! 
Podemos fazer diferente se tivermos clareza e coragem suficientes. 

                   Seguir o Caminho do Coração  previne o sentimento de abandono, libera a nossa potência e pode nos levar tão longe quanto queiramos porque aqui o medo não tem lugar, já que – ao contrário da vida comum - nunca foi convidado a entrar.

Mais uma vez a responsabilidade é de cada um!

                   


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