O Intento Consciente
Arnaldo Celso do Carmo - 03/2003

         

   O Intento, como discutimos no artigo publicado no Boletish 21: O poder do Intento,
significa a “força mental capaz de moldar a realidade à nossa volta”.

Uma vez que está sempre operando, seja num nível consciente ou inconsciente,não temos como escapar de sua influência. Ele é parte central da vida, o responsável pela forma e pela qualidade das experiências que vivemos ao longo dos nossos anos como seres humanos.

Como o intento opera na mente humana criando toda realidade aparente à sua volta,
não temos como evitar a enorme responsabilidade que sentimos
quando nos damos conta de que as coisas se passam assim.
Percebemos que viver é como saltar do topo de uma montanha:
podemos cair direto até o chão, cheios de medo e tentando nos agarrar no vazio,
ou podemos aprender a voar com confiança, saboreando cada momento até sermos levados às maiores alturas que formos capazes de vislumbrar.
A ferramenta mais importante que nos ajudará a escolher um ou outro caminho é o intento.
O manejo do intento consciente é a chave que nos permitirá escapar do destino fatal de todos que vivem sem esperança. Seu objetivo é o desfrutar da liberdade, o único caminho para a felicidade.

Mas como aprender a utilizá-lo de forma consciente?

Se já começamos a praticar e aprendemos a manter períodos de silêncio mental prolongados, naturalmente e sem esforço, e se também já aprendemos a como gerar propósitos claros e diretos em nossos momentos de silêncio e a mantê-los vivos até que se realizem, então estamos andando em direção à felicidade e prontos para seguir adiante.
O terceiro e último passo é uma opção íntima e pessoal que todos teremos que fazer em algum momento de nossas vidas: escolhemos que ser livres é a coisa mais importante para nós e que nada, absolutamente nada, vai nos distrair desse objetivo.

Essa decisão é fundamental para que sejamos capazes de concentrar energia suficiente
para continuar a praticar o intento consciente em qualquer situação que se apresente,
não importando o grau de dificuldade que aparente ter.

A prática simultânea e combinada desses três aspectos:
o silêncio, o propósito claro e a determinação inabalável - desenvolve dentro de nós um sentido de disciplina que passa a operar continuamente, dando significado a todas as nossas atitudes e nos protegendo dos seguidos ataques do ego, um mestre em criar motivos sensatos e razoáveis para nos afastar do caminho.
Suas razões, que costumam ser: metas pessoais, compromissos familiares, responsabilidades sociais, etc, agora são vistas não mais como obstáculos mas como estímulos para darmos o próximo passo.
Se não tivermos essa atitude disciplinada bem estruturada em nossa mente seremos presas fáceis no mundo do ego que certamente encontrará uma forma eficaz e dissimulada de nos converter ao seu conformismo confortável, fonte de toda infelicidade.

O ego nos empurrará para longe do caminho mas nós, pelo uso do intento consciente inflexível, simplesmente voltaremos para ele assim que nos dermos conta do nosso engano, sem sentimentos de culpa nem ressentimentos. Quando percebemos que erramos, apenas corrigimos tranquilamente, nada mais. Essa é a disciplina do guerreiro. E não há liberdade sem disciplina, o que não nos assusta nem desanima mas acrescenta um grande fascínio em nossas vidas.


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