O Fórum Social Mundial, o ISH e o Curso em Milagres

Cynthia A. Locatelli de Almeida - 02/2005

        Estive em Porto Alegre no Fórum Social Mundial - 2005 e confesso que fiquei surpresa ao ver tantas pessoas, de tantos lugares do mundo, unidas sob o mesmo tema “Um Outro Mundo é Possível”. Isto me fez refletir sobre a inserção do trabalho do ISH na série de movimentos que estavam representados no fórum como a cultura de paz, consumo consciente, simplicidade voluntária, economia solidária, preservação do planeta, etc.

        A afinidade do ISH com estes movimentos é incontestável pois a abordagem sistêmica que caracteriza seu trabalho faz com que todos sejam incentivados a tomar consciência de sua interconectividade e unidade com o todo. Afinal, estamos imersos e somos este mundo que apenas parece nos rodear.

        Mas o Curso em Milagres, que é uma das bases do trabalho do ISH, diz: “...não há sentido em tentar mudar o mundo. Ele é incapaz de mudar, porque é meramente um efeito. Mas, de fato há sentido em mudar os teus pensamentos sobre o mundo pois aqui estás mudando a causa...” Então, porque tentar mudar o mundo? Porque ir ao FSM? Ou mesmo, porque fazer o próprio ISH?

        Quando lemos a frase acima parece que tudo o que temos a fazer é sentarmos em silêncio e tudo mudará. Sim, esta deve ser a resposta correta, mas então porque viemos a este mundo? Porque quisemos viver neste corpo, nesta Terra, neste tempo?

         Eu acredito que viemos experimentar TUDO o que este mundo nos permite e aqueles de nós que estão envolvidos nestes trabalhos citados acima, estão apenas começando a fazer as escolhas que o Curso em Milagres propõe e que nos aproximam da volta para o Ser Divino que é nossa verdadeira face.

        E que escolhas são estas? Para mim, estamos mais perto de “Casa” quando escolhemos ser responsáveis por TUDO: pelos nossos pensamentos, que podem criar paz ou conflito, pelo mundo que criamos à nossa volta, pelo que consumimos, por como lidamos com nosso lixo, pelas ações que preservam ou destroem nosso belo planeta, além de tantas outras coisas.

        Aqui vale colocar uma outra base do trabalho do ISH: todos temos dentro de nós a lembrança “adormecida” da biologia do amor (na linguagem do biólogo Humberto Maturana) ou da Casa do Pai (na linguagem do Curso em Milagres). Esta lembrança pode e deve ser despertada. Porisso, quando começamos a perceber que sempre temos escolha entre a paz e o conflito, começamos a escolher ficar em paz e imediatamente começamos a estender esta paz aos que estão à nossa volta e daí é apenas um passo para que nos envolvamos em atividades que relembrem as pessoas deste potencial que todos temos.

        O que percebo que diferencia o ISH da grande maioria dos trabalhos que vi no Fórum é que começamos por ficar em paz internamente. Começamos pela prática da “primeira diretriz isheana” que pode ser descrita como: “Não fortalecer nada que leve a nos sentirmos separados uns dos outros.” E, quando mesmo que apenas por um instante fazemos esta opção deliberadamente, tornamo-nos irradiadores da paz, da união e apoiadores destes movimentos de mudança pacífica da cultura mundial.

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