O Natal

Arnaldo Celso do Carmo


Por cerca de dois mil anos, enquanto vivemos a Era de Peixes, as Escolas de Sabedoria acompanharam a eterna luta entre o bem e o mal e a reconheceram simbolicamente como representada no ciclo anual das noites e dos dias, luz versus escuridão. O verão, quando os dias são mais longos do que as noites, significava a estação da luz, do bem, enquanto o inverno, em que a situação se inverte, representava o predomínio das trevas, do mal.

Se nos lembrarmos que as nossas tradições religiosas ocidentais foram estabelecidas no hemisfério norte poderemos compreender porque o Natal é comemorado na noite de 24 de Dezembro. Devemos também nos lembrar de que o Natal celebra o nascimento de Cristo, não exatamente de Jesus, como dizem as tradições cristãs, e que Cristo é compreendido como o Homem Desperto, o Iluminado, Aquele que tem a Luz e a Sabedoria, ou como nos acostumamos mais a chamá-lo, o Salvador.

Vinte e quatro de dezembro: no norte o inverno atinge seu ápice, as noites são as mais longas, os dias os mais curtos; o mal venceu as virtudes do bem e o povo sofre sem luz, sem calor e sem esperança.

Nesse momento, por um ato da Divina Compaixão nasce o Salvador, o Herói, o Amor Supremo, Aquele que vai mudar o curso da luta.
No dia seguinte, já por Sua interferência, as forças da escuridão começam a retroceder: o dia fica um pouquinho mais longo e a noite um pouquinho mais curta. Daí em diante, naturalmente, o avanço das forças da luz é firme e inexorável. Mas as sombras ainda continuam predominando embora o cenário da batalha esteja se modificando dia a dia.

Três meses de muitos conflitos depois, quando finalmente a vitória se aproxima, o Salvador decide por livre e espontânea vontade entregar ao povo o verdadeiro presente que veio trazer e mostrar porque nasceu entre nós.
Generosamente entrega o seu corpo e sua “dignidade” em “sacrifício”, com o único propósito de nos mostrar a natureza real da vida que levamos nesta terra. É “humilhado”, “agredido”, “desprezado” e “morto” mas, algumas horas depois reaparece mais belo e cheio de luz do que nunca, mostrando que nada de fato havia acontecido, que nada podia atingi-lo. Toda vida é eterna!

Ele sabe que poucos o compreendem, mas não se preocupa com isso pois está trabalhando num nível energético muito acima do visível. A liberação de energia que seu “sacrifício” causa através da compreensão que torna possível daí em diante, dá o impulso final para que as forças das trevas sejam definitivamente vencidas e possamos chegar à Primavera.

Os dias passam a predominar novamente sobre as noites, a luz é soberana, a vida canta sobre a terra e o povo volta a ser feliz. O Herói se vai pois só é necessário nas épocas de escuridão.

Aqueles que compreendem o processo e o vivem em suas vidas são salvos, vivem a plenitude dos seus potenciais humanos e deixam esse mundo para nunca mais voltar. São recompensados com o Céu. Os que não o compreendem terão uma nova chance pois o ciclo está pronto para recomeçar.

No entanto, os verdadeiros significados do Natal e da Semana Santa permaneceram ocultos durante toda Era de Peixes que agora termina para dar lugar à Era de Aquários, a Era do Saber, quando então tudo será revelado claramente. Mas essa já é uma outra estória,...


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