FALSA EMPATIA X EMPATIA VERDADEIRA

                                                                                                                Arnaldo Celso do Carmo - 11/2003




Talvez seja uma simplificação mas acho que podemos compreender a
empatia como a capacidade de nos colocar no lugar do outro e de compartilhar seus sentimentos.

Impossível não pensar no Curso em Milagres (CM) como uma referência.
Já no início do texto da página 350, ele detona:

”Sentir empatia não significa unir-se em sofrimento, pois é isso o que tens que te recusar a compreender. Essa é a interpretação do ego acerca da empatia... (...) O Espírito Santo (que, segundo o CM, é a parte de nossa mente que está ligada à Mente de Deus) não se une à dor, compreendendo que a cura da dor não se dá através de tentativas delusórias de entrar nela e aliviá-la por compartilhar a delusão”.

UAU! Que lindo! Só que é diferente de tudo o que eu ouvi durante toda a minha vida.

O CM está dizendo que o ego usa a empatia para reforçar o sofrimento no mundo e
assim garantir a sua sobrevivência, claramente às custas da nossa felicidade.
E essa pode ser definida como a falsa empatia:
a que identifica o sofrimento no mundo, nas pessoas,
acredita nele e une-se a ele.

Claro que muitas vezes disfarçada ou misturada com a melhor das boas intenções.

Acho que a maioria de nós é freguês desse truque: agimos com a melhor das intenções sem nos dar conta do verdadeiro efeito das nossas atitudes.
Um olhar que reconheça a existência do menor sofrimento que seja cria também, com o mesmo gesto, um mundo de separação e infelicidade no qual aquele que olha e
aquele que é olhado estão condenados a viver. Não há como escapar.
Sabe aquela dorzinha que a gente sente quando vemos alguém sofrendo? Pois é essa mesma.
É disso que estamos falando. É esse o perigo. O julgamento e a condenação instantâneos.

Não nos damos conta do poder que está dentro de nós, ou seja, das nossas mentes,
mas esse exemplo ajuda a clarear um pouco.
Um sentimento pequeno, simples, corriqueiro, tão comum que já nem
percebemos mais e que acontece milhares de vezes todos os dias.
cria e recria continuamente um mundo baseado na separação e no sofrimento inevitáveis.
Well,... isso é que é poder meus amigos.

Mas o CM não está com isso querendo dizer que a atitude “certa”, quando nós vemos,
por exemplo, um menino pedindo esmolas na rua, seja passar reto sem prestar atenção
ou dar-lhe uma bronca por ele não estar usando o seu poder de criar uma realidade melhor para si.

Não é nada disso. Não significa que temos que ignorar o sentimento que vai dentro do outro.
Muito pelo contrário. Significa apenas que se estivermos fazendo a nossa parte e mantendo a paz dentro de nós, então não iremos acreditar no seu sofrimento ou qualquer outro sentimento que seja.

E se não acreditarmos nele não estaremos contribuindo para que o seu sofrimento seja real nem condenando-o, e a nós mesmos junto com ele, a viver dentro dessa realidade de solidão e conflitos.

Poderemos dar todas as esmolas ou trabalhar em quaisquer ONGs envolvidas com a problemática social que quisermos desde que estejamos fazendo a nossa parte.
O Curso em Milagres garante – e na minha experiência já confirmei isso centenas de vezes – que se estivermos conectados com a nossa Verdade, a nossa Paz interior, então as nossas atitudes não gerarão mais conflito. Pelo contrário, todo nosso poder, que já vimos é muito grande, estará alinhado no sentido correto de trazer a Liberdade aos que se relacionarem conosco. Felicidade e não tristeza.

Seremos uma fonte de Luz para todos, inclusive para nós mesmos.
Muito justo! Olhamos e não vemos ninguém sofrendo realmente.
Vemos sim, gente acreditando que está sofrendo, vivendo uma fantasia de carências.

Não compramos mais a tragédia de ninguém. E só então poderemos realmente ajudar os que acreditam que estão em sofrimento, da maneira que nos parecer melhor.
Antes não. Antes estávamos apenas aprofundando o seu conflito. E junto com o deles, o nosso.


Ver a Verdade do outro – sua Perfeição sem limites -
em qualquer situação específica que seja, essa é a Verdadeira Empatia.


O segredo todo está em “fazer a nossa parte”. Isso significa que teremos que
abrir mão dos referenciais do ego que têm nos guiado durante toda a nossa vida.
E ele certamente não vai permitir que isso aconteça sem luta. Vai tentar nos convencer de que,
sem ele, tudo será um caos e criar muitos “bons e nobres” motivos para que a gente
desista dessa tentativa fútil de sermos livres e felizes:

“Olha lá aquele coitadinho. Você não vai fazer nada?”

“Vamos ajudar aquela gente pobre e que vive sem esperanças
(nós, que somos mais bem sucedidos e temos muitas oportunidades na vida).”... etc.

A opção entre a verdadeira ou a falsa empatia é uma decisão íntima
e impossível de ser evitada.


Estamos sempre escolhendo uma ou a outra em cada pequeno gesto, cada palavra, cada olhar.
Acredito que Jesus, nosso modelo mais popular de Homem Perfeito, apoiava a sua estratégia de cura na opção contínua e impecável pela verdadeira Empatia,
que ele compartilhava com todos que permitiam.
Era preciso que eles aceitassem sua ajuda e, assim, eram imediatamente curados
porque 2 pessoas – Jesus e o “doente” – agora os viam como Inocentes e Perfeitos.
E assim se tornavam.

Quando optamos pela falsa empatia, muitas vezes acreditando que estamos ajudando “o outro”, de fato estamos tirando o poder da situação e optando pela fraqueza.
No ambiente da falsa empatia coexistem os frágeis, os sofredores e os culpados e
é nessa realidade que acreditamos quando optamos por ver os nossos irmãozinhos
como vítimas indefesas de forças muito além da sua capacidade de controle.
E, se acreditamos, criamos um mundo onde a fraqueza é regra natural que rege os relacionamentos.

Ou seja, a falsa empatia é, na verdade, um ataque, um ato de desamor e o “herói”, alguém que expressa seu medo de maneira dissimulada.

Já a verdadeira empatia recupera o poder da situação e o coloca nas mãos de quem
ele pertence por direito: eu e você.
Aqui somos fortes e temos o direito de viver nossas dificuldades
sem sermos criticados e julgados incapazes.
Temos espaço para desenvolver capacidades, descobrir como somos livres e criativos.

E nessa liberdade podemos expressar nossas conquistas compartilhando confiança e alegria
com os nossos irmãozinhos que ainda acreditam que estão sós e sofrendo.
Aproximamo-nos deles com respeito e compaixão e permitimos que,
com a ajuda do nosso olhar confiante, descubram seus próprios talentos.
E nos surpreendemos, sempre, em reconhecer como são muitos e variados.

No ambiente da verdadeira empatia não há sofrimento real nem vítimas indefesas
porque nenhuma experiência acontece por acaso e cada circunstância que “parece nos acontecer”
traz à nós o desafio perfeito que temos que enfrentar no
estágio de crescimento em que nos encontramos.

A escolha pela Empatia verdadeira é a expressão natural do Amor.

Se você está pensando que não é fácil praticar essa tal de Empatia verdadeira, tenho que concordar. Mas se está pensando que é impossível para você, discordo frontalmente
. É que, no fundo, no fundo, ainda desconfiamos do Criador... Pode?

Mas ouve o que o CM tem a dizer sobre isso:
“Não estás certo de que Ele fará a Sua parte, porque nunca fizeste,
até agora, a tua completamente.”


Humm,... doeu? Brincadeira!

Bom,... aí está a dica. Fazer a nossa parte.

Tudo é uma questão de prática. De optar corretamente e praticar. Primeiro precisamos compreender como as coisas se passam e só então podemos fazer as nossas escolhas conscientemente.

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