Conhecer a si mesmo e ao mundo

Cynthia A. L. de Almeida
junho/2001


            Muito se fala a respeito de conhecer a si mesmo e compreender o mundo. Mas, o que é este conhecer, como chegar a entender esse imenso conjunto de fatores que se interligam numa imensa rede?
            Acredito que estamos profundamente conectados com a realidade à nossa volta e estamos em cada instante, em cada ato, em cada pensamento criando esta realidade.
            Porisso a tradição judaico-cristã diz que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”. Temos o poder de criar e, mesmo que não nos demos conta disso, somos co-criadores deste mundo! A tomada de consciência disto se torna cada vez mais urgente e assumir esta responsabilidade se torna cada vez mais necessário.
            Acredito que podemos perceber alguns passos neste processo de tomada de consciência:

1. Consciência zero:

            Corresponde ao estado de total identificação com o que se está vivendo. Poderíamos dizer que neste estágio tudo parece nos acontecer. Não somos capazes de perceber nossa influência em tudo o que nos acontece. Somos joguetes à mercê de forças externas e internas e reagimos com total impotência em relação a tudo.
            É o estado da “vítima indefesa”: “O governo acabou com a minha vida”, “Ele me traiu”, “Se ao menos ela tivesse feito diferente...”, etc.

2. Tomada de consciência:

            Corresponde a um estado de alerta onde percebemos que deve haver outra forma de estar no mundo. Continuamos no estado de “vítimas indefesas” mas agora refletimos sobre as razões pelas quais tudo acontece como acontece. Começamos a ver o mundo e a nós mesmos como objetos de estudo e avaliação.

3. O início da compreensão:

            Corresponde ao momento onde começamos a identificar em nós mesmos e no mundo certos padrões, certas leis. Começamos a observar o mundo e a aprender com cada experiência que nos ocorre. Tudo vira objeto de nosso estudo. Ainda estamos identificados com nosso personagem, mas começamos a ter uma consciência separada dele. Podemos observá-lo de fora.

4. A compreensão dos significados:

             Corresponde ao estado em que os padrões de comportamento e as leis que regem este mundo se tornam tão claros que podemos separar aqueles que nos servem bem daqueles que não mais se adequam a nós. É o ponto onde começamos a fazer escolhas conscientes. Estamos vendo os significados e as consequências de nossas escolhas. Percebemos nosso papel de co-criadores da realidade e ensaiamos os primeiros passos no sentido do que queremos atingir. É o momento da separação do joio e do trigo, tanto externa quanto internamente. Percebemos como certos pensamentos vão na direção que queremos e como outros nos desviam dela. Temos um quadro claro da realidade e de nossa posição dentro dela.

5. A transformação da realidade:

             Corresponde ao homem desperto, o verdadeiro ser humano. Agora, ele não é mais um joguete à mercê de forças externas ou internas mas tomou para si o papel de autor. Ele percebe que escreve os personagens, ele mesmo e os outros (sempre em conjunto, é claro) e os vive em sua plenitude. Assume plena responsabilidade por tudo o que lhe acontece pois sabe que teve participação ativa em tudo o que está vivendo.

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